Aquelas coisas que eu não falo...
Fecho os olhos e te sinto aqui.
Por um instante, carregar o mundo nas costas me pareceu mais simples.
Sua presença torna tudo mais leve...
É como se eu tivesse que te criar, de uma forma ilusória, totalmente platônica, pra corrigir essa minha falha, meu defeito de amar quem já se foi; Pra um outro tempo, outra vida.
Amar alguém que sequer lembra de mim.
É, eu amo, do meu jeito torto, todo errado, jeito de quem nunca soube muito bem o que fazer da vida.
Um jeito de amar de quem achou que a vida perfeita vinha numa embalagem, tipo macarrão instantâneo.
Mas eu amo, ainda que você duvide, ainda que você não saiba, ainda que eu cale, que eu engula esse sentimento junto com as minhas lágrimas.
Eu ignoro sua existência, ainda que lá longe. Ignoro porque se eu insistisse em te manter vivo dentro de mim, ou aqui, eu passaria meus dias todos chorando por alguém que nem sequer lembra o som da minha voz.
É estranho escrever pra uma pessoa que não vai me ler, escrever uma carta que eu vou rasgar assim que terminar, é estranho tirar de mim as palavras que eu queria dizer, e não posso, por causa da distância, aquela, intransponível.
Mas é importante registrar, aqui pra mim pelo menos, que eu voltaria pra te buscar, ou eu voltaria pra ficar aí ao lado teu, contando as estrelas de uma noite bonita, contando histórias simples ou, simplesmente, ouvindo o som dos grilos.
Eu sinto falta dos grilos.
Sinto falta até do som do teu choro me dizendo que eu estraguei tua vida.
Eu e minha mania de estragar tudo que ponho a mão.
Mas eu aprendi, com esse tempo todo longe, com essa saudade, com essa necessidade de ti, a consertar os meus erros, aprendi a pedir desculpa, aprendi a dizer 'obrigada'.
Corrigi em mim mesma todos aqueles errinhos que nos afastaram, aqueles errinhos que me colocaram como a pior pessoa do mundo.
Estou quase-pronta pra voltar e te contar o meu caminho até aqui... quase-pronta pra assumir minha covardia, minha incapacidade de aceitar o que é diferente da minha vontade.
Todos os dias, eu acordo e penso: será que ainda dá tempo de voltar? Será que vale a pena me arriscar?
Sei lá, nem me importo muito.
Já errei tanto, já perdi tanta coisa, já me machuquei tanto, isso só seria o fim.
E cá entre nós... eu mereço um fim.
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Toda história precisa de um ponto final.
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