Dancemos


Sentada na areia, admirava os casais que ali namoravam.
Com os pés descalços, sob a luz da luz, chorava o pranto de quem tivera a alma roubada.
As palavras martelavam em sua cabeça: “você não está sozinha”. Mas ela estava.
E não existia nada mais doloroso, naquele momento, do que a solidão que a assombrava, fazendo a saudade ainda mais intensa.
Devastada.
Vazia.
Sozinha.
Rasgou seu coração e desejou que o ar lhe faltasse, trazendo a morte como companhia. Já era morta por dentro, que assim fosse por fora.
Aquilo que outrora fora alívio, lhe angustiava: estava viva.
O mar formava o cenário perfeito.
As ondas quebravam nas pedras, águas mansas chegavam à praia.
Tudo ali lhe convidava a entrar mar à dentro.
Maré alta, lua cheia.
Dancemos a dança da morte.
Despiu-se.
Caminhou lentamente em direção ao seu par que a recebia de braços abertos.
Ninguém notara, era despercebida sua presença.
Dançaram de braços dados.
Dançaram até o sol raiar.
Corpo falecido.
Em outro lugar, ela ainda dançava.

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