Acordei determinada a te esquecer, determinada a seguir minha vida sem o cara que arruinou todos os meus conceitos sobre distância e presença.
Como que alguém pode causar todas as sensações de quem divide a cama mesmo morando tão longe?
E como que alguém pode ser tão adorável e tão detestável?
Não sei... Não sei...
Mas sei que você está aqui, comigo, em mim, em tudo que sou, em tudo que faço.
E faz com que eu queira fugir de mim, numa tentativa desesperada de sobreviver sem você, uma tentativa frustrada de mudar o rumo da nossa história.
Quebro o silêncio da madrugada com o meu grito de dor.
Dor que fingi não sentir quando te vi ir embora.
Grito que calei quando todo o meu corpo reclamou tua falta.
Há tempos não me permito chorar a saudade incessante que sinto daquele teu jeito de me acalmar quando sentia medo e te queria aqui, quando acordava no meio da noite assustada com o pesadelo que nos colocava ainda mais distante um do outro.
A forma doce que me chamava de princesa e me fazia acreditar que o futuro seria nosso.
Nutri sentimentos e sonhos por um cara que nunca vai chegar, mas não sai de mim nem dos meus pensamentos, alguém que simplesmente vive como se eu não existisse ou fizesse parte do que ele é.
Acho que as pessoas se perdem ao longo da vida; se perdem delas mesmas, do que gostariam de ser, do que eram.
Eu me perdi e perdi muita coisa, perdi muitas pessoas, e de todas elas, a que mais me causa desespero ao lembrar, é você. Você e todos os seus defeitos, sua mania de achar que as mulheres são vagabundas e de que uma cerveja pode salvar o mundo.
E eu, quem vai me salvar? Você pode me ouvir daí? Você ouve meu choro de menina abandonada, deixada pra trás com seus planos rasgados e o coração em pedaços? Você vem me buscar? Vem me salvar desse inferno que é viver com o amor no estômago, engolido junto com a tristeza de viver uma vida vazia? Um amor tão delicadamente construído e depois, de uma forma brutal e assustadora, esmagado, esquecido e deixado pelo caminho, como algo que só tivesse causado problemas ou pesado na sua bagagem.
A vida ensina, mas enlouquece um bocado e no final dela não sei se estarei em pé pra contar a minha versão desse romance de boteco, mas sei que vou juntar o resto de força que me resta pra declarar que te odeio pra quem quiser ouvir; odeio o homem que destruiu o melhor de mim, odeio a falta que você faz, odeio sentir saudade.
Essas são as verdades que eu nunca falo, que nego até o fim dos dias, verdades que me assombram pelo simples fato de ser verdade, por fazer parte de mim.
Verdades irrefutáveis, tanto quanto o amor que me corrói, dia-a-dia, por dentro, em silêncio, enquanto aprecio o por do sol e imagino como seriam as coisas se você estivesse aqui.
Como seriam as coisas se você soubesse que te espero voltar?
Refaço, mentalmente, o caminho até você e me debruço na janela.
A altura nem é tanta, me deixa voar...
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