Mais uma vez

A gente se desentende, se desencontra, se desfaz...
Briga tanto que esquece por que brigou, manda à merda, ignora, foge, finge que tá tudo bem e tenta viver a vida.
Aí percebo que tem mais de mim em ti do que em mim e vice-versa, e tento voltar pra me buscar, dou com a cara na porta, brigo sozinha, choro de raiva, imploro um amor que nunca existiu e tento mostrar que a culpa não é minha quando é!
Tenho vontade de te jogar na cara umas verdades que nem são tão verdades assim, mas te machucariam um pouco; pelo menos alguém sentiria dor além de mim.
Tenho vontade de te deixar pro lado de fora da minha vida, mas sempre acabo deixando a chave embaixo do tapete e quando percebo, já te vejo aqui, bagunçando toda a casa e me fazendo rir e depois, me fazendo chorar.
E eu te mando embora.
E te peço pra ficar.
E digo que não aguento mais viver assim.
E não aguento mesmo, sinto tanta dor e tanto medo que já não sei mais se sinto algo diferente disso.
Sei que se não fosse tu, seria outro cara qualquer, aí acabo sempre te pedindo pra ficar.
Mas de repente, tu te cansa do meu joguinho e decide que vai embora, e eu, que nunca vivi sem ti, me desespero e ao invés de tentar consertar, quebro mais alguma coisa em nós, desencaixo mais alguma peça que antes nos movia, te afasto mais um pouquinho como se a distância fosse pouca.
Então venho aqui e me desmancho, escolho escrever um texto à te ligar e ouvir tua voz, à ir até tua casa e te pedir um cantinho na cama.
Acho que escrevo pra ti numa tentativa frustrada de te fazer presente.
Te transformo em palavras e te guardo em mim, junto com todas as nossas conversas e promessas e sonhos que nunca se realizariam, ainda que nossos problemas de distância geográfica fossem resolvidos, ainda que pudéssemos nos xingar e nos odiar pessoalmente, como todo casal merece.
Talvez eu não mereça...
E se for embora da minha vida, me leva contigo.
Não quero ficar aqui, não sem ti.

Nenhum comentário:

Postar um comentário