Um cara qualquer (parte II)



Eu tava aqui, quieto no meu canto e veio a moça toda charmosa querendo prosa.
Sei lá o que me deu, mas me deixei levar por aquelas palavras doces que me enredaram e me fizeram crer naquele tal de amor.
Algo que eu nunca havia sequer cogitado pra minha vida, de um segundo pro outro eu estava aqui querendo estar lá, fazendo juras de uma coisa que nem sei se existe. 
E depois, novamente de um segundo pro outro, a moça charmosa se foi.
E deixou tanta coisa aqui como se um dia fosse voltar pra buscar. Às vezes me faz crer que vem mesmo, que tá com as malas prontas esperando o meu chamado, logo depois foge como naquele dia que eu a pressionei.
'Ou você vem ou eu vou.'
E ela se foi.
Sou aquele tipo de cara que vive uma vida sossegada e só quer continuar assim por muito tempo. 
Uma cerveja, um cigarro e dá licença que quero ficar sozinho. 
Eu ouvi cada uma das palavras dela como se fossem únicas, como se fossem verdadeiras e agora tô tentando entender como que alguém entra na vida de outra pessoa, bagunça tudo, mas deixa a cama intacta como se fosse pura demais pra deitar ali.
Não faz sentido. Nunca fará.
Só queria continuar sendo um homem bom, que crê em sentimentos bons, mas esse negócio de se doar acabou comigo, agora tô aqui tentando arrumar uma forma eficaz de limpar toda a sujeira que ficou pelo caminho.
Bebo uma dose de whisky, vou pra cama com uma mulher que nem sei o nome e sigo a vida.
Cabeça erguida. Sem coração.
A moça charmosa o levou consigo. E me deixou como pagamento essa vida vazia. Essa revolta por pessoas apaixonadas. Essa falta de crença em palavras, mesmo aquelas que parecem sinceras.
Talvez seja minha pouca idade, talvez seja a distância que nunca foi minha amiga. Ou pode ser o simples fato de que a moça charmosa não era corajosa o suficiente pra correr todos os riscos que eu correria.
E eu correria todos os riscos do mundo. Correria daqui até lá. Eu moraria lá, na casa dela, ou em qualquer lugar, contanto que tivesse aquela mulher que me fez enxergar coisas que eu não queria ver e depois me cegou.
Aquela mulher que por tantas vezes me fez desejar que o tempo parasse, que me fez desejar alguém que nunca nem senti o cheiro.
Nem sei mais se acredito nas pessoas, se acredito em amar-e-ser-amado. 
Mas acredito que ela quer voltar. Que ela quer que eu vá.
Sou um cara qualquer, com imensa probabilidade de acabar como um fracassado, bêbado, sujo, mas seria mais fácil se a tivesse aqui...
Um cara qualquer, sem nada pra oferecer, mas com um coração do tamanho do mundo, com capacidade de abrigar milhares de pessoas e curar as dores delas, mas só queria curar a dor da moça charmosa que se foi e me deixou aqui, sem saber o que fazer com esse tal de amor.
Ah, esse tal de amor...

2 comentários:

  1. Posso chorar um pouquinho enquanto leio isso duzentas mil vezes?
    PERFEIÇÃO de texto ♥

    ResponderExcluir
  2. Me senti no personagem, não que eu esteja vivendo o mesmo, mas é que seu modo de escrever me faz adentrar ao contexto, proporcionando-me vários sentimentos!!

    Amei o texto, de verdade!

    http://senhoritamoca.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir